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Depois da catástrofe no Haiti, um novo fenômeno destruidor parece estar prestes a acontecer. Não estou falando de um tremor sísmico, mas de um abalo político no cenário venezuelano que ameaça desmoronar até mesmo o que parece eterno: no caso, o governo do atual presidente da Republica venezuelana, Hugo Rafael Chávez Frías (já há mais de dez anos no poder, desde sua eleição 06/12/1998). Aos poucos, o governo de Chávez parece estar mais e mais desgastado e deteriorado, atingindo recentemente o nível mais baixo de sua popularidade desde sua chegada ao poder.
A previsão de tal fenômeno político está baseada nas instabilidades que atualmente já podem ser sentidas no panorama do governo venezuelano. Recentemente, Chávez tem tomado uma série de medidas impopulares, muito questionadas e que ameaçam derrubar e transformar em escombros sua política. As medidas econômicas como a maxidesvalorização da moeda (anunciada dia 8 de janeiro de 2010) [1] são uma delas. A Venezuela teve a maior taxa de inflação do continente em 2009 (+25,1% em 2009) [2] e a recente desvalorização do Bolívar deve contribuir ainda mais para a alta dos preços. Estima-se que a inflação se estabeleça entre 30 e 60% esse ano[3]. Adicionalmente, o fenômeno inflacionário tende a piorar quando associado ao atual cenário econômico do país, que apresenta uma economia já enfraquecida pela queda do preço do petróleo devido à crise mundial. Outro aspecto criador de instabilidade a ser ressaltado é o racionamento de água e de luz[4], ambos provocados em parte pela falta de investimentos e de infraestrutura. Além disso, a corrupção é outra característica do governo venezuelano que vem deteriorando cada vez mais a popularidade do presidente e ameaça desmoronar a sua política. Para piorar as coisas, Hugo Chávez se encontra num contexto delicado já que ele está às vésperas de eleições legislativas (em setembro de 2010).
Porém, a situação de instabilidade não para por aí. Recentemente, outras medidas impopulares que ameaçam abalar fortemente o governo têm sido tomadas. Uma delas é a decisão de cortar o sinal de seis canais de televisão a cabo, entre eles o canal oposicionista RCTV[5]. Esta decisão polêmica gerou fortes manifestações de estudantes nas ruas das principais cidades da Venezuela (a maior foi organizada no dia 23 de janeiro[6]), acarretou a suspensão das aulas em todas as universidades e provocou críticas de organizações do país e do exterior (particularmente da França) [7].
No entanto, a maior amostra de uma ameaça iminente ainda não foi mencionada. De fato, o recente acontecimento que realmente parece ser um alerta de "sismo político" é a renúncia de Ramón Carrizález[8], vice-presidente, ministro do Poder Popular para a Defesa e braço direito de Chávez, no dia 23 de janeiro de 2010 (além de outras renuncias como a do presidente do Banco de Venezuela no dia 26/01/2010[9]). Este homem alega que os motivos de tal decisão são estritamente pessoais. Porém, varias especulações sobre as razões da renuncia já se espalham. Entre elas está a de um suposto mal-estar entre Carrizález e seu substituto no ministério da Defesa, o general Carlos Mata Figueroa. Também se acredita que Carrizález discorda da decisão relativa aos seis canais a cabo, o que o teria afastado dos seus cargos. Mas a hipótese mais assustadora - e que parece, entretanto, ser a mais verídica - é a de que Carrizález, sendo ministro da Defesa, saiu do poder por medo de um golpe de Estado, cada vez mais iminente, que ameaça o atual governo. De fato, segundo o analista político venezuelano Manuel Malaver, "Chávez está encontrando muita rejeição no momento, inclusive no meio militar, no qual nem todos estão de acordo com as pretensões que o presidente vem anunciando para o setor, como a criação de milícias bolivarianas" [10]. Além do mais, também se fala que Chávez está querendo condecorar militares cubanos, medida que também tem despertado forte descontentamento no Exército.
Dito isso, Carrizález pode estar de fato sentindo os primeiros tremores que precederiam o verdadeiro abalo. Mas seriam estes os primeiros sinais e sintomas de um fenômeno já inevitável? Estaria Carrizález tentando fugir de tal catástrofe? E finalmente, estariam as fortes estruturas que asseguram a política chavista com os dias contados? Nada disso é certo; prevalece apenas dúvida e enigma quanto ao futuro do panorama político venezuelano...
[1] "Chávez anunció la devaluación el 8 de enero" http://www.latinnews.com/lil/LIL21872.asp?instance=1
[2] "dejando a Venezuela con una inflación anual de 25,1% en 2009, de acuerdo con el banco central " LatinNews.com
[3] Jornal O Globo, dia 26/01/2010, Economia, O mundo, página 27, O vice de Chávez deixa o governo, Os problemas do Presidente.
[4] "vamos a aplicar racionamientos máximos de cuatro horas" http://www.vtv.gov.ve/noticias-ciencia-y-salud/28427
[5] Venezuela: la chaîne anti-Chavez RCTV retirée du câble - Yahoo! Actualités
[6] "Y con esto culminó de forma exitosa, en paz y con alegría la marcha opositora en la Redoma de Petare. Cantaron el Himno Nacional para finalizar la movilización opositora." http://www.venelogia.com/archivos/3613/
[7] Editoriales en prensa extranjera critican a Chávez y destacan caso RCTV | Medios bajo ataque| El Nacional.com
[8] Vice de Chávez deixa o governo - Portal ClippingMP
[9] Renuncia el presidente del estatal Banco de Venezuela, íntimo de Carrizález | Infolatam: Noticias y Análisis de América Latina
[10] Vice-presidente de Chávez renuncia e agrava crise no governo da Venezuela - gazeta online
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